Como baixar a taxa de esforço e ter mais dinheiro disponível?

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Sandra Pereira

Sumário

Baixar a taxa de esforço é uma das formas mais eficazes de recuperar o equilíbrio financeiro e aumentar o dinheiro disponível ao final de cada mês. Se tem vários créditos, prestações elevadas ou sente que grande parte do seu rendimento é utilizado para pagar empréstimos, existem estratégias que podem ajudar a aliviar o orçamento familiar.

Desde a renegociação dos créditos até à consolidação de empréstimos, descubra 7 formas de reduzir os seus encargos mensais e melhorar a sua saúde financeira.

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço é a percentagem do rendimento mensal líquido destinada ao pagamento das prestações de crédito. Este indicador permite avaliar o peso dos empréstimos no orçamento de uma pessoa ou família.

Quanto mais elevada for a taxa de esforço, menor será o rendimento disponível para outras despesas, como alimentação, transportes, educação, saúde ou poupança.

As instituições financeiras utilizam este indicador para avaliar a capacidade de uma pessoa cumprir as suas responsabilidades financeiras antes de conceder um novo empréstimo.

Como calcular a taxa de esforço?

O cálculo da taxa de esforço é relativamente simples:

Taxa de esforço (%) = (Total das prestações mensais de crédito ÷ Rendimento mensal líquido) × 100

Imagine uma família com os seguintes rendimentos e encargos:

DescriçãoValor mensal
Rendimento líquido familiar2.500 €
Prestação do crédito habitação650 €
Prestação do crédito automóvel250 €
Prestação do crédito pessoal200 €
Total de prestações1.100 €
Taxa de esforço44%

Neste exemplo, a família utiliza 44% do seu rendimento líquido para pagar créditos, ficando com 1.400 € mensais para suportar todas as restantes despesas.

Embora este valor possa parecer suficiente, despesas inesperadas ou uma redução dos rendimentos podem comprometer o equilíbrio financeiro.

Qual é a taxa de esforço ideal?

De uma forma geral, uma taxa de esforço inferior a 30% é frequentemente utilizada como referência de prudência na gestão do orçamento familiar.

No entanto, não existe uma taxa de esforço ideal aplicável a todas as famílias.

O valor adequado depende de fatores como o rendimento disponível, o número de pessoas do agregado familiar, as despesas essenciais e a estabilidade profissional.

Como referência indicativa:

Taxa de esforçoInterpretação
Inferior a 30%Situação geralmente mais confortável
Entre 30% e 35%Exige atenção ao orçamento
Entre 35% e 50%Encargos significativos com créditos
Superior a 50%Potencial situação de maior vulnerabilidade financeira

Nota: estes intervalos são meramente indicativos e não representam limites legais de aprovação de crédito.

As instituições financeiras aplicam critérios próprios de avaliação da solvabilidade, tendo também em consideração as recomendações e regras do Banco de Portugal.

Por isso, mesmo uma taxa de esforço considerada moderada não garante a aprovação de um financiamento.

Como baixar a taxa de esforço? 7 estratégias práticas

Se pretende baixar a taxa de esforço, existem diferentes soluções que podem ajudar a reduzir o peso das prestações no seu rendimento mensal.

A escolha depende da sua situação financeira, dos créditos contratados e das condições que conseguir negociar.

Consolidar vários créditos numa única prestação

O crédito consolidado é uma solução que permite juntar vários empréstimos num único financiamento, passando a pagar apenas uma prestação mensal.

Por exemplo, pode ser possível consolidar:

  • Créditos pessoais;
  • Créditos automóveis;
  • Dívidas de cartões de crédito;
  • Outros créditos ao consumo elegíveis.

Ao reunir diferentes financiamentos, poderá conseguir uma prestação mensal inferior à soma das prestações atuais, dependendo das condições do novo contrato.

Renegociar as condições dos créditos existentes

Outra forma de baixar a taxa de esforço consiste em contactar as instituições financeiras para tentar renegociar as condições dos empréstimos.

Dependendo do contrato e da avaliação efetuada pelo banco, poderá ser possível:

  • Reduzir a taxa de juro;
  • Alargar o prazo de pagamento;
  • Alterar determinadas condições contratuais;
  • Reestruturar o plano de pagamentos.

O alargamento do prazo pode diminuir a prestação mensal, mas normalmente implica pagar juros durante mais tempo.

Por isso, é importante avaliar não apenas a redução imediata da prestação, mas também o custo global da operação.

Amortizar antecipadamente os créditos com juros mais elevados

Se dispõe de algumas poupanças, utilizar parte desse dinheiro para amortizar créditos pode ser uma estratégia eficaz.

Deve começar por analisar os financiamentos com taxas de juro mais elevadas, frequentemente associados a cartões de crédito e determinados créditos pessoais.

A amortização antecipada permite reduzir o capital em dívida e os juros futuros.

No entanto, amortizar um crédito não significa necessariamente reduzir a prestação mensal. Dependendo do contrato, poderá resultar numa redução do prazo ou da prestação.

Antes de tomar uma decisão, confirme as condições de amortização e eventuais comissões aplicáveis.

Também é aconselhável preservar um fundo de emergência para despesas inesperadas.

Rever as condições do crédito habitação

Para muitas famílias portuguesas, o crédito habitação representa a maior prestação mensal.

Por esse motivo, rever as condições do financiamento pode ter um impacto significativo no orçamento.

Algumas possibilidades incluem:

  • Negociar uma redução do spread;
  • Avaliar a transferência do crédito para outra instituição;
  • Comparar diferentes modalidades de taxa de juro;
  • Rever os seguros associados ao financiamento.

Uma redução dos encargos mensais com o crédito habitação pode contribuir diretamente para diminuir a taxa de esforço.

Antes de alterar o contrato, compare todos os custos associados à operação e as condições aplicáveis ao longo do financiamento.

Evitar a acumulação de novos créditos

Contratar novos empréstimos aumenta as responsabilidades financeiras e pode agravar a taxa de esforço.

Por isso, antes de recorrer a crédito para financiar uma compra, avalie se essa despesa é realmente necessária.

É especialmente importante ter atenção à utilização recorrente de cartões de crédito e soluções de pagamento faseado.

Embora possam parecer opções convenientes, a acumulação de pequenas prestações pode representar um encargo mensal significativo.

Sempre que possível, procure financiar despesas não essenciais através de poupança previamente acumulada.

Aumentar o rendimento mensal disponível

A taxa de esforço depende de dois fatores: o valor das prestações e o rendimento líquido mensal.

Por isso, aumentar os rendimentos pode contribuir para reduzir este indicador, mesmo que as prestações se mantenham inalteradas.

Algumas possibilidades incluem negociar uma atualização salarial, desenvolver uma atividade complementar ou obter rendimentos adicionais de forma regular.

Por exemplo, uma pessoa com rendimentos líquidos de 1.500 € e prestações de 600 € apresenta uma taxa de esforço de 40%.

Se o rendimento mensal aumentar para 1.800 €, mantendo as mesmas prestações, a taxa de esforço desce para aproximadamente 33,3%.

É importante distinguir rendimentos regulares e comprováveis de receitas ocasionais, sobretudo quando está em causa uma avaliação de crédito.

Organizar o orçamento familiar e eliminar despesas desnecessárias

Embora reduzir despesas correntes não altere diretamente a taxa de esforço, permite aumentar o dinheiro disponível no final do mês.

Comece por identificar todas as despesas fixas e variáveis, incluindo subscrições, telecomunicações, seguros e outros serviços.

Depois, procure oportunidades de redução de custos.

Uma poupança mensal de 50 € ou 100 € pode parecer pouco significativa, mas representa entre 600 € e 1.200 € ao longo de um ano.

Esse valor pode ser utilizado para reforçar o fundo de emergência ou amortizar dívidas, contribuindo para uma situação financeira mais equilibrada.

Perguntas frequentes sobre a taxa de esforço

É possível baixar a taxa de esforço sem aumentar o rendimento?

Sim. É possível baixar a taxa de esforço reduzindo o valor das prestações mensais, através da renegociação dos empréstimos, da amortização de dívidas ou da consolidação de créditos.

Qual é a taxa de esforço máxima para conseguir crédito?

Não existe um limite único aplicável a todos os financiamentos. As instituições financeiras avaliam a solvabilidade dos clientes de acordo com o tipo de crédito, as regras aplicáveis e as circunstâncias de cada caso. 

Posso consolidar créditos se tiver uma taxa de esforço elevada?

Uma taxa de esforço elevada não impede automaticamente a apresentação de um pedido de consolidação. No entanto, pode dificultar a aprovação, uma vez que a instituição financeira terá de avaliar a capacidade de reembolso e o risco da operação.

Baixar a taxa de esforço significa pagar menos juros?

Não necessariamente. Uma prestação mensal mais baixa pode resultar de um prazo de financiamento mais longo. Nesse caso, o custo total dos juros pode aumentar, mesmo que o encargo mensal seja inferior.